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    Ariranha: um bicho família

    Espécie ameaçada de extinção, este mamífero aquático é uma das principais atrações do Parque Zoobotânico do Goeldi


    Agência Museu Goeldi – Ela chama a atenção e não é por acaso. A ariranha (Pteronura brasiliensis) é um mamífero bem barulhento, que emite sons agudos para se comunicar com outros integrantes do bando, por isso, seus ruídos podem ser ouvidos de longe, atraindo os visitantes até o recinto localizado no meio do Parque Zoobotânico do Museu Paraense Emílio Goeldi. Esta é a segunda espécie da fauna amazônica que ganha versão em miniatura na série “Aves e Mamíferos”, do projeto “Viva Amazônia”.

    Conheça - A ariranha é o maior representante da família Mustelidae, chegando a medir até 1,80m quando adulto. Os machos maduros podem pesar 45 quilos, já as fêmeas, que são menores, pesam, em média, 25. Assista ao vídeo e saiba mais, é só clicar aqui ou aqui.

    São animais com o metabolismo acelerado, de pelagem curta, macia e escura com uma mancha clara na região do pescoço. Ao contrário do corpo, que é mais alongado, as patas são curtas e têm membranas interdigitais, que fazem deste animal um excelente nadador. Apesar de ter orelhas pequenas, as ariranhas possuem audição apurada.

    Há registros de ocorrência da espécie em quase toda a América do Sul. No Brasil, é encontrada principalmente na Amazônia e no Pantanal, mas, de acordo com o Sumário Executivo do Plano de Ação Nacional para a Conservação da Ariranha, do Instituto Chico Mendes (ICM-Bio), as populações estão em declínio e isoladas. O ICM-Bio, considera a possibilidade de a espécie estar extinta nos estados de Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Em São Paulo e no Paraná a espécie é considerada criticamente em perigo.

    A ariranha é considerada em perigo pela União Internacional para a Conservação da Natureza, já para o Ministério do Meio Ambiente, a espécie está ameaçada de extinção.

    José Silva Junior, zoólogo e pesquisador do Museu Goeldi, atribui a perda da espécie às intervenções humanas na natureza. “A principal ameaça é a redução do habitat, mas a ariranha também sofre contaminação por metais pesados nos rios onde ela ocorre, pois se alimenta dos peixes que são contaminados por metais, a exemplo do mercúrio”.

    Moradores do Parque - Erê, uma ariranha macho, até então era o único exemplar da espécie no zoobotânico do Goeldi, e recentemente ganhou novas companhias. Duas fêmeas filhotes foram resgatadas na região de construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, em Altamira (PA), e encaminhadas ao Parque do Goeldi, onde recebem cuidados veterinários e passam por uma fase de adaptação ao recinto e aproximação com o Erê.

    Na natureza, as ariranhas vivem em grandes grupos familiares de 8 a 12 indivíduos, por isso o contato com outros espécimes em cativeiro é muito importante. A aproximação precisa ser cuidadosa, como informa a bióloga do Parque Zoobotânico, Thatiana Figueiredo. “Ainda não foi possível uni-los no mesmo recinto. Os filhotes precisam crescer um pouco mais para que seja possível essa interação, que pode ser perigosa. Temos que fazer a aproximação através de tela, depois proporcionar encontros eventuais. Tem que ser devagar para que não ocorra nenhum tipo de problema”, disse.

    Alimentação – A ariranha é um animal carnívoro que tem a base de sua alimentação formada por peixes, pequenos mamíferos e aves. No Parque Zoobotânico do Museu Goeldi, a alimentação é oferecida diariamente. Além de peixes, as ariranhas do Parque se alimentam de frango.

    Reprodução – Na natureza, apenas a fêmea dominante do grupo se reproduz uma vez por ano, com gestação de até 70 dias. Geralmente a ninhada é de cinco filhotes, que são resguardados pela mãe e por todos os membros do grupo nos primeiros meses de vida. Em geral, as ariranhas são agressivas, mas no período de gestação ou quando estão cuidando das crias, as fêmeas da espécie aguçam seu extinto protetor, tornando-se ainda mais violentas. Com a chegada das fêmeas de ariranha no zoobotânico, o Museu Goeldi pretende planejar a reprodução em cativeiro.

    Você pode baixar um exemplar da ariranha em miniatura de papel, basta clicar aqui. E se quiser colorir, clique aqui.

     

    Texto: Mayara Maciel