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    Guará - o íbis brasileiro

    Seu nome vem do tupi e significa penas para enfeitar. Sua dieta alimentar inclui animais ricos em um pigmento vermelho responsável pelo rubro da sua plumagem, que impressiona de tão vibrante que é.

    Agência Museu Goeldi – A coloração vermelha predomina na plumagem do guará (eudocimus ruber), mas no decorrer do seu ciclo de vida essa ave aquática vai experimentar tonalidades diferentes nas penas. Quando jovens, a plumagem é parda escura e quando se reproduz as cores também variam. Este bicho exuberante está presente na Amazônia, faz parte do acervo faunístico do Parque Zoobotânico do Goeldi e é o terceiro animal a ser apresentado na série “Aves e Mamíferos” do projeto “Viva Amazônia”, desenvolvido pelo Museu Paraense Emílio Goeldi - MPEG e o INCT Biodiversidade e Uso da Terra na Amazônia .

    Conheça – O guará é uma ave colonial que vive em áreas de manguezais e tem distribuição nas zonas costeiras do norte da América do Sul, em países como o Brasil, Colômbia, Venezuela, Equador, Guianas e na Ilha de Trinidad e Tobago. Ocasionalmente é encontrado nas Antilhas e América Central.  No estado do Pará está associado à região do salgado paraense.

    Baixe aqui uma miniatura de papel do guará e se quiser colorir, clique aqui.

    Alimentação - A coloração da ave está diretamente ligada à sua alimentação, baseada essencialmente em crustáceos como algumas espécies de caranguejos e camarões. Esses animais que compõem a base da dieta do guará possuem no corpo um caratenóide chamado “cantaxantina”, que é um pigmento vermelho. Ao se alimentar de caranguejos e camarões, que têm essa substância, o rubro da ave fica ainda mais vibrante. “No Parque Zoobotânico do Museu Goeldi, através de uma ração específica, a gente oferece esse caroteno para que eles cheguem a ter essa tonalidade bonita. O camarão, que também é oferecido na alimentação, ajuda nessa coloração”, explica Thatiana Figueiredo, bióloga do Parque do Goeldi.

    Os caranguejos conhecidos como “sarará” e “maraquani” são seus preferidos e, para retirá-los do mangue, o guará submerge seu longo bico, que tem uma curvatura direcionada para baixo, o que facilita a atividade. Na hora de comer, o guará caminha lentamente nos lamaçais e, com a ponta do bico dentro da lama, faz movimentos acelerados, abrindo e fechando. É característica das fêmeas da espécie ter o bico mais fino e mais claro do que os machos.

    Reprodução A reprodução também interfere na coloração do guará.  Neste período, o bico do macho fica ainda mais escuro e brilhante, já as fêmeas mantém a coloração original, com as pernas vermelho-esbranciçadas e o bico pardo com a ponta preta. Para nidificar escolhem extensas áreas de manguezais e vegetação mais densa e protegida, construindo seus ninhos nas copas das árvores.

    No Zoobotânico do Goeldi a reprodução foi estimulada com caixas que simulam ninhos. Nessa tentativa nasceram 5 filhotes no início do ano de 2015, que foram incorporados ao grupo de 15 espécimes no cativeiro.

    Como explica Alexander Lees, ornitólogo e pesquisador do Museu Goeldi, “o guará pode ser alvo de depredação de algumas espécies de águia que ainda ocorrem nessa região, mas por ser uma ave de grande porte, ela tem poucos predadores naturais”.

    O guará não é uma espécie ameaçada de extinção no Brasil, ainda sim sofre com a ameaça humana. “Na região há captura de filhotes e retiradas de ovos, além disso, a ave sofre por conta da perda de ambientes causada pela poluição e pela pressão antrópica, com a construção de vários empreendimentos e grandes obras que estão previstas para a região do salgado paraense e do Maranhão, no futuro”, afirma Lees.

    No século XVI os Tupiniquins e Tupinambás disputavam os ninhais de guará para utilizar suas penas na confecção de adornos. Hoje, o ornitólogo destaca a importância econômica que a espécie agrega ao ecoturismo da região do litoral amazônico. “É um animal que os turistas sempre querem ver, então dessa forma tem certo valor econômico também. As pessoas deveriam pensar mais sobre ela e perceber que ela pode ser um símbolo do meio ambiente em que vive, agregando importância econômica associada ao próprio ecoturismo”, finaliza o pesquisador.

    Se você se interessou e quer conhecer de perto a espécie, visite o Parque Zoobotânico do Museu Goeldi de quarta-feira a domingo, de 9h às 17h.

    Texto: Mayara Maciel