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    Florestas tropicais secundárias são eficientes na absorção de carbono

    É o que mostra um estudo internacional realizado em 45 lugares da América Latina. Cientista do Museu Goeldi, Ima Vieira é uma das co-autoras do trabalho que será publicado na edição de fevereiro da revista Nature

    Agência Museu Goeldi – Reduzir as taxas de CO2 (dióxido de carbono) na atmosfera é uma meta que une líderes, países e organizações mundiais e foi um dos temas mais discutidos durante a 21ª Conferência do Clima (COP-21) no fim do ano passado. Eis que as florestas secundárias, formadas da regeneração de áreas desmatadas, se mostram um caminho viável e barato para “sequestrar” grandes quantidades de carbono.  A conclusão está em um estudo colaborativo da rede internacional de pesquisa 2ndFOR que será publicado na edição de fevereiro da revista científicaNature.

    A pesquisadora do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), Ima Vieira é uma das autoras do trabalho. À frente de projetos sobre biodiversidade e conservação na Amazônia, a cientista participou da análise do restabelecimento da biomassa acima do solo (aérea) em 1500 parcelas de florestas e 45 locais ao longo da América Latina.

    Secundárias e resistentes – Florestas secundárias são florestas “jovens”, fruto da regeneração de áreas após a remoção quase completa da cobertura florestal para o uso agrícola da terra (agricultura itinerante ou pecuária). A pesquisa mostrou que florestas tropicais secundárias são altamente resilientes.

    O autor principal Prof. Lourens Poorter diz que “a absorção de carbono é surpreendentemente mais rápida nestas jovens florestas que se regeneram em pastagens abandonadas ou campos agrícolas abandonados. Depois de 20 anos, estas florestas já recuperaram 122 toneladas de biomassa por hectare. Isto corresponde a uma absorção de 3,05 toneladas de carbono por ano, a qual é 11 vezes maior que a absorção de uma floresta madura”.

    Os pesquisadores calcularam que em duas décadas as florestas secundárias recuperaram uma faixa entre 20 e 225 toneladas de biomassa, dependendo da região. Esta recuperação é mais alta em áreas com muitas chuvas e disponibilidade hídrica ao longo do ano. A fertilidade do solo ou a quantidade de cobertura florestal nos entornos foram menos importantes nesse panorama.

    Mapa de recuperação - A partir dos dados coletados, a equipe de cientistas gerou um mapa de recuperação potencial de biomassa para a América Latina. “Legisladores regionais e nacionais podem utilizar estas informações para identificar áreas que devem ser conservadas” afirma o co-autor Profº. Danaë Rozendaal.  “Por exemplo, mapear áreas de recuperação lenta ou mais difíceis de restaurar, áreas de rápida recuperação, onde florestas regeneram-se ou onde reflorestamentos têm maior chance de sucesso, e um maior potencial de sequestro de carbono”.

    Ima Vieira ressalta que embora muitas pesquisas já tenham demonstrado os benefícios ecológicos das vegetações secundárias, eles se concentravam em regiões específicas em países da América Latina. A meta-análise proposta pelos pesquisadores é a chance de estabelecer uma parceria global com foco nas florestas secundárias e formular programas de restauração em larga escala.

    No Pará – O estado mais populoso da Amazônia brasileira também tem as maiores taxas de desmatamento dos últimos anos. Daí a importância dos seus  66.000 km² de florestas secundárias, que se concentram principalmente nas regiões Nordeste e parte Oeste do estado.

    Confira aqui a Instrução Normativa de outubro de 2015 que define procedimentos administrativos para a realização de limpeza e autorização de supressão a serem realizadas nas áreas de vegetação secundária em estágio inicial de regeneração, localizadas fora da Reserva Legal e da Área de Preservação Permanente – APP dos imóveis rurais, no Estado do Pará.

     

    Texto: João Cunha com informações da rede pesquisa 2ndFOR