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    Papel das Alterações Climáticas e de Paisagem na Evolução Passada e Futura de Espécies de Vertebrados e Plantas Superiores de Especial Interesse para a Conservação na Amazônia

    Coordenação e Equipe |  Publicações


    Apresentação e Objetivos

    O objetivo final do subprojeto 1 foi de projetar possíveis extinções de espécies que vivem no “Arco do Desmatamento” e futuras alterações na biota de modo geral baseados em variados cenários que sofrem influência do aquecimento global e mudanças na paisagem ocasionadas pelos diferentes usos da terra. A análise foi realizada a partir da avaliação do grau de suscetibilidade natural histórica (numa escala de milhares de anos) das espécies do “Arco-do-Desmatamento”, especialmente aquelas mais vulneráveis ou ameaçadas de extinção.

    Os impactos sobre a biodiversidade de cenários distintos e mudanças ambientais ao longo do tempo previstas para a região amazônica, avaliadas a partir da produção e validação de modelos biogeoclimáticos, e a reconstrução da história evolutiva recente das espécies Amazônicas, feitas a partir de mecanismos da biologia molecular, cujas distribuições e nichos foram modelados com o objetivo de avaliar o efeito das mudanças climáticas passadas sobre elas, formam o conjunto das principais metas e propostas executadas pelo subprojeto 1.


    Procedimentos Metodológicos
    Resultados e Discussão

    O primeiro resultado obtido mostra que na maioria dos casos houve redução na área ocupada durante a Ultima Máxima Glacial, principalmente no sudeste da Amazônia, levado em consideração as distribuições das espécies/linhagens analisadas tanto na atualidade quanto no período da UMG.

    As pesquisas do subeixo 1 também revelaram que atualmente e à época da última Máxima Glacial notou-se ampla heterogeneidade na distribuição de espécies em áreas de clima estável na Amazônia. Os dois modelos utilizados (MIROC e CCSM) indicam, durante a Última Máxima Glacial, a retenção de condições climáticas favoráveis para a consolidação de espécies / linhagens associadas a florestas úmidas de terra-firme na região da Amazônia ocidental e também em algumas regiões da Amazônia centro-setentrional, como é o caso do escudo das Guianas. Por outro lado, as condições climáticas da área centro-oriental, de acordo com os modelos alternativos, tiveram maior variação, consequentemente, maior instabilidade.

    Além disso, as investigações demonstram que as filogeografias obtidas para as linhagens estudadas tiveram dois padrões: 1 e 2, respectivamente.

    No padrão 1,  apresentado por 70% das espécies/linhagens, as divergências mais antigas ocorreram no oeste da Amazônia ou no escudo das Guianas (áreas de endemismo Guiana, Imeri, Napo e Inambari). Por outro lado, as divergências mais recentes envolveram populações a leste do rio Madeira (áreas de endemismo Madeira, Tapajós, Xingu e Belém).

    O padrão 2 foi registrado para 20% das espécies/linhagens e as divergências mais remotas aconteceram ao leste do rio Madeira, entre as áreas de endemismo Madeira, Tapajós e Xingu, já as mais atuais envolveram populações distribuídas a oeste do rio Madeira e Amazônia setentrional (áreas de endemismo Guiana, Imeri, Napo e Inambari). As demais linhagens que compõem os 10% restantes, o padrão espacial de diversificação é semelhante ao padrão 1, mas com importantes diferenciações.

    Conclusões

    A conclusão principal do subprojeto 1 é sobre o impacto do aquecimento global no sudeste da Amazônia, região situada no "Arco-do-Desmatamento" com constante intervenção humana no manejo do solo. Como demonstrado na pesquisa, esta área é historicamente mais vulnerável a mudanças climáticas do que outras regiões da bacia.

    Um plano de ação para a conservação da Amazônia num futuro de mudanças climáticas deve priorizar a região do "Arco-do-Desmatamento" em função de nela convergirem os vetores de vulnerabilidade natural às mudanças climáticas, somado aquele de intenso uso da terra, ambos com grande potencial de erradicar a vegetação florestal nativa e sua rica biodiversidade de uma parcela significativa do bioma.