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    Rede Amazônia Sustentável (RAS)

    Subprojeto 2: Análise custo-benefício entre conservação e desenvolvimento na Amazônia Brasileira

    Subprojeto 4: Determinando os custos sociais e ambientais de queimadas na Amazônia


    Coordenação e Equipe

     

    Resumo do Sub-Projeto

    Os subprojetos 2 e 5 da INCT de Biodiversidade e Usos de Terra na Amazônia, respectivamente, “Análise custo-benefício entre conservação e desenvolvimento na Amazônia Brasileira” e “Determinando os custos sociais e ambientais de queimadas na Amazônia”, convergiram esforços no período de 2009 a 2014. Desse vínculo, veio uma interação crescente entre as ciências naturais e sociais. Também foi formada uma rede entre diferentes instituições e representantes da ciência, governo e sociedade civil, com o nome “Rede Amazônia Sustentável” (RAS).

    Os objetivos da rede se balizam pelo entendimento dos desafios ecológicos e sociais enfrentados na Amazônia no campo da sustentabilidade. Eles são: (1) Quantificar e compreender melhor as consequências do desmatamento, degradação florestal e mudanças nos sistemas agrícolas em várias escalas, para avaliar em que medida os impactos locais e paisagísticos e o legado dos impactos históricos influenciam os padrões da condição ecológica dos sistemas atuais (2) Avaliar os fatores geofísicos, geográficos e socioculturais que determinam os padrões de uso da terra, escolha de manejo e produtividade agrícola, e assim o custo de oportunidade para conservação, bem como os padrões de bem-estar dos produtores rurais (3) Aplicar o levantamento multidisciplinar para avaliar relações entre objetivos de conservação e desenvolvimento, identificando potenciais trade-offs e sinergias (4) Ajudar futuras iniciativas de pesquisa a potencializar seu custo-efetividade por meio da avaliação dos efeitos de diferentes escalas relacionados à seleção de variáveis, desenho de amostragem, priorização de perguntas de pesquisa, e maneiras de interagir com atores e institutos locais e a divulgação dos resultados.

    Metodologicamente, a RAS adota uma abordagem direcionada às interações dinâmicas entre a natureza e a sociedade, à pesquisa de base local e com soluções baseadas em múltiplas escalas. Referenciando Collins et al. (2010), a equipe elaborou um quadro de como os componentes que interagem no sistema de estudo sócio-ecológico podem ser visualizados. Relações causa-efeito, premissas e feedbacks que proporcionam uma base para a definição de objetivos específicos de pesquisa.  (veja o quadro abaixo).

    Figura 1. Modelo conceitual do sistema de estudo sob investigação pela Rede Amazônia Sustentável (RAS).

     

    Os resultados são medidos em termos de alterações em determinados atributos valorizados -- como a biodiversidade nativa, os serviços dos ecossistemas e o bem-estar humano -- que são capturados em ambas as dimensões (sociais e ecológicas) e através de mudanças nos estoques e fluxos de serviços ecossistêmicos.

    Para o estudo e coleta de dados foram escolhidas duas regiões do leste da Amazônia, (Santarém/Belterra e Paragominas), no Estado do Pará, que se diferem histórica e biofisicamente. Dessa forma, criou-se a oportunidade para entender melhor a medida que as inferências que procedem de uma região podem ser generalizadas para outra.

    Em cada região estudada, foi usada uma amostra de 18 bacias hidrográficas de terceira ou quarta ordem (c. 5000 ha), distribuídas ao longo de um gradiente de cobertura florestal em 2009 (10-100% em Santarém; 6-100% em Paragominas). O total de 36 bacias foi selecionado para capturar o gradiente completo de desmatamento, incorporando áreas prioritárias identificadas pelos membros dos governos municipais e comunidades agrícolas (assentamentos de reforma agrária, comunidades rurais tradicionais e áreas de recente expansão agrícola, por exemplo).

    Resultados da Rede Amazônia Sustentável (2009-2014)

    Em cinco anos de projeto, a RAS produziu conhecimentos científicos substanciais sobre os fatores sociais e ecológicos e as consequências da mudança no uso da terra. Os resultados das pesquisas se concentraram em 6 principais áreas de estudo: “A diversidade dos sistemas de produção agrícola”; “A importância das redes sociais de agricultores”; “O papel das florestas para a conservação dos igarapés”; “A importância da biodiversidade da região”; “O impacto do fogo e da exploração madeireira sobre a condição das florestas da região” e “A necessidade de ações comunitárias para reduzir incêndios”.

    Os resultados incluem a quantificação dos efeitos potencialmente devastadores e muitas vezes sinérgicos de degradação florestal da exploração madeireira na biodiversidade e na produção de serviços ecossistêmicos das florestas tropicais. O quadro atual tem potencial de transformar os ecossistemas florestais em habitat secundário empobrecido.

    Foi demonstrado também como a extensão de floresta remanescente na escala da paisagem, bem como as trajetórias de mudança de uso da terra no passado, podem ter um efeito dominante nos padrões locais de biodiversidade terrestre e aquática. Resultado esse que indica a urgência de ações coletivas em bacias e regiões inteiras para garantir a eficácia das estratégias de conservação.

    No campo socioeconômico, os dados apontaram para uma subutilização das áreas já abertas para a agricultura na Amazônia, no que se refere à produção. Além disso, identificou-se a importância de entender e gerenciar as relações entre pequenos e grandes agricultores, pois existe potencial para efeitos positivos e negativos.

    As conclusões sobre os valores ecológicos e socioeconômicos são um importante recurso para orientar medidas mais eficientes para o planejamento da conservação. A rede destaca o investimento em programas para evitar a ampliação da área degradada como uma estratégia tão ou mais importante do que programas de restauração em terras já desmatadas.


    Números gerais da rede

    Na elaboração e execução das pesquisas, a RAS envolve 99 estudantes e pesquisadores, cuja produção acadêmica inclui, até o momento, 6 teses de graduação, 9 teses de mestrado e 16 teses de doutorado. Desse conjunto, 1 tese de graduação, 1 tese de mestrado e 1 tese de doutorado foram apresentadas ainda em 2011. No ano seguinte, foram 2 teses de graduação e 5 teses de mestrado. Em 2013, 3 teses de graduação, 2 teses de mestrados e 3 teses de doutorado foram defendidas e no ano passado o número foi de 1 tese de mestrado e 5 de doutorado. No período de 2015/2016, está prevista a apresentação de 6 teses de doutorado sobre temas do projeto (veja lista quantitativa abaixo). A equipe publicou ainda 13 artigos e mais de 20 foram submetidos até o final de 2014.

    Considerando os dois subprojetos, 31 instituições de pesquisa encampam a rede, sendo 9 estrangeiras (do Reino Unido, França, Estados Unidos e Austrália) e 13 da região sudeste do Brasil, além de duas organizações não-governamentais.

    O intercâmbio internacional proporcionado pela RAS se evidencia pelos números: dos 24 estudantes trabalhando na rede, dez participam ou participaram, durante o projeto, de intercâmbios com universidades no exterior. Desses, 3 realizam doutorado pleno ou integral em universidades britânicas. Pesquisadores seniores também são contemplados pelas parcerias internacionais por meio de visitas técnicas, workshops, participação em reuniões e apresentação de resultados no exterior. Os resultados alcançados dentro da rede foram divulgados em eventos internacionais a exemplo da “Annual conference of the Ecological Society of Germany, Austria and Switzerland, Resilience 2014” e a “Association for Tropical Biology and Conservation Annual Meeting”.

     

    Teses de graduação, mestrado e doutorado sobre a rede (2011-2014):

     

    2011

    - Graduação: 1

    - Mestrado: 1

    - Doutorado: 1

     

     

    2012

    - Graduação: 2

    - Mestrado: 5

     

    2013

    - Graduação: 3

    - Mestrado: 2

    - Doutorado: 3

     

    2014

    - Mestrado: 1

    - Doutorado: 5

     

    2015

    - Doutorado: 6 (previsão)

     

    2016

    - Doutorado: 1 (previsão)