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    Perda da Biodiversidade no Centro de Endemismo Belém

    Coordenação e Equipe |  Publicações

     

    Resumo do Sub-Projeto

    O aumento do número de habitantes na Amazônia brasileira tem causado grandes transformações na paisagem natural da região. A política de ocupação do Governo Federal, nas décadas de 1960 e 1970, aumentou a área desmatada de 0,5 para 17% da floresta original, o que representa, aproximadamente, 700 mil quilômetros quadrados (Alberto, 2002; Alencar et al., 2004; Campos et al., 2005; Ferreira et al., 2005; Calentano e Veríssimo, 2007; Araújo e Melo, 2008; Junior et al., 2008). O resultado da modificação da cobertura florestal é uma mancha facilmente identificável por imagens de satélite em forma de arco, esta conhecida como “Arco do Desmatamento”.

    O Arco do desmatamento atinge, principalmente, três grandes centros de endemismo da Amazônia brasileira: Belém, Xingu e Tapajós, nos quais a intensidade de uso da terra e desflorestamento têm dinâmicas distintas. O primeiro é o mais afetado, devida ao maior tempo de ocupação do seu território. Os dois restantes têm sofrido ocupação recente e, como consequência, acelerada transformação do ambiente, ocasionada pelo aumento extensivo da pecuária.

    Este subprojeto tem como objetivo principal descrever a biota do Centro de Endemismo Belém (CEB), identificando os efeitos das alterações na estrutura e composição da paisagem ao longo do tempo. O estudo consiste na coleta de informação sobre a ocorrência de espécies no CEB, também tratada como Área de Endemismo Belém (AEB). Outro resultado almejado foi identificar possíveis endemismos em grupos menos estudados, como invertebrados e plantas inferiores.

    Neste subprojeto foi realizado um inventário multi-taxonômico para 10 grupos biológicos nas 10 áreas mais preservadas do CEB. Para esta finalidade, foram estabelecidos pontos específicos de investigação, tais como: aves; aranhas; formigas; briófitas; herpetofauna; mamíferos; abelhas; drosófilas; mariposas e borboletas; minhocas; análise da paisagem; análise da biodiversidade; avaliação molecular. Os municípios abrangidos neste estudo foram Belém (PA), Mojú(PA), Paragominas (PA), Nova Ipixuna (PA), Nova Timboteua (PA), Tailândia(PA), Viseu(PA), Mirinzal (MA), Rebio Gurupi (MA) e Governador Nunes Freire (MA).

    A metodologia de pesquisa consistiu na atualização do mapa de cobertura florestal do Centro de Endemismo Belém (Landsat 2009); na organização dos mapas temáticos e coleta de informação em estudos já publicados, além de realizar medidas diretas de diversidade a partir de coleta padronizada de insetos, invertebrados terrestres, vertebrados e plantas de acordo com metodologia aplicada no Programa de Pesquisa em Biodiversidade – PPBio.

    O subprojeto produziu como resultado o mapa atualizado do CEB, indicando os diferentes níveis de uso da Terra. O levantamento de dados em bibliografia e o inventário biológico possibilitaram identificar cerca de 4.000 espécies de animais e em torno de 500 espécies de plantas neste Centro de Endemismo.

    O grupo de pesquisa concluiu que vários grupos da biota conseguem sobreviver às perturbações ambientais ocorridas na região. É possível afirmar também que os dados obtidos servirão para a realização de pesquisas mais detalhadas sobre a perda dos taxa encontrados. O estudo resultou na identificação de novas espécies, como a Melpomene firma (J. Sm.) A.R. Sm. & R.C. Moran, considerada rara e restrita à Região Amazônica. Foi identificado grupos que dependentem da cobertura vegetal para a sobrevivência, como os morcegos Phyllostomidae. Por último, áreas com maior esforço de coleta – Belém – apresentam maior riqueza de espécies de invertebrados, enquanto áreas recentemente amostradas - Nova Ipixuna e Gurupi Sul – apresentaram maior riqueza de Hymenoptera (abelhas e formigas) e Drosofilideos, respectivamente.

    Até 2014, foram publicados sete artigos científicos. Foram desenvolvidas sete teses baseadas nas pesquisas, além de três que estão em desenvolvimento. Ainda existem mais quatro dissertações em andamento. O subprojeto também organizou o evento “Curso Internacional sobre Polinização”, realizado em 2011, na Estação Científica Ferreira Penna, na Flona de Caxiuanã, Pará.